Com 400 sítios arqueológicos e uma das maiores concentrações de pinturas rupestres de todo o planeta, a Serra da Capivara, no sertão do Piauí, guarda os mistérios de um mundo perdido e abre-se ao turismo.
Numa área de 1,3 mil quilômetros quadrados, pouco menor que a cidade de São Paulo, o parque tem uma das maiores concentrações de pinturas rupestres de todo o mundo. Já foram catalogados 400 sítios arqueológicos, dos quais 263 com pinturas. São 25 mil conjuntos de desenhos que revelam o quão marcante foi a presença humana nesse território em épocas remotas. Entre outras coisas, significa que, na Pré-História, o Piauí tinha uma população maior que as regiões onde hoje estão São Paulo, Nova Iorque ou Tóquio.
Cada vez viajando mais para fora do país, os brasileiros costumam se deslumbrar com as pirâmides do Egito, que têm 4,6 mil anos, e com os monumentos maias do México, nas vizinhanças de Cancún, com pouco mais de mil anos. É claro que essas obras são fabulosas e fornecem dados importantíssimos sobre a tecnologia e a cultura daqueles povos. Mas é bom o Brasil descobrir que os colossais cânions da Serra da Capivara, embora não exibam construções faraônicas, guardam registros de até 50 mil anos da passagem dos nômades que caçavam ou coletavam alimentos na região.
Mais tarde, entre 12 e 6 mil anos atrás, vários grupos se fixaram no local, estabeleceram-se em sociedades que os pesquisadores chamam hoje de “cacicados” e criaram códigos de comunicação bastante elaborados. “Muitos dos desenhos não são arte rupestre. São registros gráficos, uma espécie de escrita pré-histórica naturalista, uma forma de comunicação”, atesta a antropóloga visual Anne-Marie Pessis, francesa de 47 anos que há mais de dez estuda as inscrições rupestres da Serra da Capivara. Ou seja: antes de os egípcios criarem os hieróglifos, nossos ancestrais já utilizavam símbolos sofisticados para se comunicar.
(Os Caminhos da Terra, ago. 1997. p. 37-8, 40-1.)

vou votar nesse porquê é menor!!! kkkkk