Olá, pessoas!

Confesso que estou perplexo, quase emocionado, de finalmente ter conseguido reativar o blog. Do jeito que as coisas andavam, julgava esta uma tarefa quase que impossível a curto prazo.

Mas como nossa vida como NAVEgantes é feita de impossíveis, eis o Mens et Manus de volta! E esta semana será bombada por aqui: teremos posts diários, sobre nosso tema norteador, astronomia. Hoje, começamos a maratona com um texto sobre Ficção Científica, publicado no site do Planeta.com, uma excelente opção de leitura na net (http://www.revistapontocom.org.br). Para os que andam se descabelando por conta da pesquisa para a revista virtual, este é um modelo de sucesso.

No mais, notícias em breve!

Amplexos e boa semana!

Publicado em: às junho 28, 2009 em 9:28 pm  Comentários (1)  

Ficção científica: formas de se pensar o ser humano, a ciência e a tecnologia

Por André Luiz Correia Lourenço

Doutor em Antropologia Social. Bacharel e licenciado em História. Professor do CEFET-RJ

“Espaço, a fronteira final…” com essas palavras começavam as aventuras da nave estelar Enterprise, do seriado Star Trek, exibido no final dos anos 70 e que foi recentemente (re)adaptado para o cinema. Os diferentes planetas visitados, com as mais variadas civilizações, forneciam elementos para se discutir, na ficção, as atitudes e comportamentos existentes no mundo real.

Os autores de ficção científica, ao construírem realidades alternativas (possíveis apenas na imaginação de seus criadores), utilizam a literatura como forma de jogar com diferentes possibilidades de ser e de viver. Esse tipo de perspectiva é exemplificado pelo raciocínio do antropólogo Edmund Leach ao dizer que “a ficção científica tomou da mitologia tradicional o papel de formadora de fantasias”. Esse tipo de literatura, e de seu equivalente cinematográfico, o cinema de ficção científica, abre possibilidades hipotéticas capazes de colocar questões e de suscitar debates que podem ser úteis para se (re)pensar a realidade em que vivemos.

Racismo, inteligência artificial, desigualdade social, clonagem e ecologia são alguns dos temas que já foram explorados e discutidos em obras que podem ser consideradas parte da literatura de ficção científica. O que diferencia essas obras de outros textos, como a literatura de fantasia, com a qual guardam alguma semelhança (como o fato de se reportarem a realidades imaginadas, mais ou menos descoladas do mundo real) é o fato da literatura de ficção científica ter por base um referencial científico.

Por esse motivo, Star Wars, com suas referências místicas à existência da força, está mais próxima da fantasia do que da ficção científica mais engajada, a qual costuma ter como ponto de partida a presença da ciência e a tecnologia como elementos centrais, em torno dos quais a trama se desenvolve. Essa explicação também esclarece porque obras de Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft e de Guy de Maupassant, que muitas vezes fazem referências à eletricidade e ao magnetismo, apesar de utilizarem referências científicas, são consideradas como literatura de horror, já que esse é o aspecto por elas enfatizado. Daí compreendermos também porque os filmes Alien, o 8° Passageiro e O Predador são geralmente considerados, respectivamente, um filme de terror e o outro de ação (a ciência tem um papel secundário na trama), mais do que filmes de ficção científica.

É claro que essa classificação feita acima é didática, questionável e controversa. O termo “ficção científica” abrange uma vasta gama de manifestações e, dependendo do ponto de vista, pode incluir ou excluir diferentes obras. X-Men, com seu argumento baseado na existência de mutantes, é ficção científica? Então Batman Begins e Homem de Ferro também são? O fato de As Crônicas de Nárnia se passarem em um universo paralelo faz com que essa obra deixe de ser um texto fantástico para se tornar ficção científica? O filme 2001, Uma Odisséia no Espaço termina de forma ambígua, fazendo alusão ao nascimento (ou morte) do ser humano. Isso faz com que deixe de ser ficção científica para se tornar um filme sobre filosofia?

Essa diversidade de possibilidades evidencia a complexidade que caracteriza esse gênero literário. Os diferentes subgêneros que o compõem podem variar em temática, abordagem e em ênfase, dando mais atenção às questões filosóficas ou ao jargão científico do que a uma narrativa fragmentada ou tradicional, bem como podem ser textos sobre avanços no futuro ou sobre a tecnologia nos dias de hoje. Se por um lado temos obras solidamente embasadas na Biologia, Física e Informática, por outro lado é possível encontrar trabalhos que discutem questões filosóficas. O Enigma de Andrômeda seria um exemplo do primeiro caso. Já o 13° Andar poderia evidenciar a segunda possibilidade.

Logo, pode-se dizer que a ficção científica é a uma manifestação da cultura de massa que discute como a crescente presença da tecnologia no mundo atual interfere na nossa vida diária. A literatura e o cinema de ficção científica refletem sobre a influência que a ciência e a tecnologia terão no nosso futuro. Por isso, esse tipo de literatura, surgida no final do século XIX (no auge da segunda Revolução Industrial), está fortemente ligado à modernidade. Essa modernidade – caracterizada pela rapidez das transformações, pelo avanço das novas tecnologias da comunicação (telégrafo, telefone, fax, internet e celular) e pela velocidade dos meios de transportes (navio a vapor, ferrovias, aviões e trens-balas) – traz uma forte confiança no futuro, no poder da tecnologia, símbolo do mundo industrial.

Não é a toa que livros e filmes de ficção científica sejam alvo do interesse dos jovens, os quais crescem convivendo cada vez mais com a presença da tecnologia nas suas vidas. Uma pesquisa com mais de cinco mil alunos de 12 anos de idade, em mais de 20 países, mostrou que “os programas (TV/filmes/vídeo) favoritos das crianças de 12 anos eram histórias de crimes ou ação, ficção científica (grifo nosso) e horror, respectivamente. Os programas/filmes dessas três categorias foram mencionados, cada um, por cerca de 20% das crianças ou tomados em conjunto por quase dois terços dos alunos de 12 anos.” (GROEBEL, 2002, p. 71)

Pode parecer estranho (para alguns) pensar que a literatura que talvez esteja mais próxima dos jovens seja a de ficção científica, porém tal visão seria equivocada. Muitas vezes se esquece que Júlio Verne, um clássico das aventuras infanto-juvenis, pode ser considerado como um autor de ficção científica. Textos como Vinte Mil Léguas Submarinas e Viagem ao Centro da Terra, se enquadram dentro dos parâmetros da ficção científica e são considerados clássicos da literatura infanto-juvenil.

A amplitude do espectro temático da ficção científica lhe permite fazer diferentes cortes e pontos de vista, podendo suscitar as mais variadas discussões, sobre os mais diversos temas. Algumas das questões mais clássicas e presentes nas discussões filosóficas e sociológicas são abordadas pela ficção científica. Quem somos nós? De onde viemos? Qual o melhor tipo de sociedade? Essas perguntas são discutidas em diferentes planetas, povos e tempos. A ficção científica permite criar um laboratório de testes, onde é possível experimentar realidades alternativas, onde é possível postular diferentes formas de ser e de viver.

O processo civilizatório que se desenvolveu no Ocidente, durante a modernidade, tem sido pautado pela ideologia do individualismo. Em função disso, o direito à individualidade é visto como um elemento constituinte da noção de pessoa ocidental. Essa forma de ver o ser humano como autônomo, individualizado, independente, imagem que se desdobraria no sonho do “self-made man” burguês, acabou por se tornar uma representação ideológica hegemônica.

Ela é tão forte que tanto os iluministas quanto os românticos, respectivamente defensores e críticos desse processo civilizatório, têm a mesma perspectiva: a defesa de uma humanidade pautada na existência de um indivíduo. Tanto pode haver uma ênfase na racionalidade – produto de um processo civilizatório (na visão iluminista) – quanto uma valorização da emotividade, da impulsividade, destruídas pelo modelo de civilização defendido pelos iluministas e atacado pelos românticos.

Os textos e filmes de ficção científica também servem para nos lembrar que nossa condição de senhores da natureza, de donos do mundo, é uma posição precária, sempre sujeita a riscos. Se nos consideramos seres superiores, com direito a aprisionarmos outros seres para nossa diversão e/ou alimentação, as obras de ficção científica frequentemente colocam esse pressuposto em dúvida. O direito de se colocar como possuidor de valores e qualidades superiores (qualidades humanas que nos definem como livre-arbítrio e racionalidade) seria uma conquista constante frente aos “seres da natureza”.

A concepção do que seja natureza – dependendo da perspectiva – pode ser encarada positiva ou negativamente. Ela é positiva quando nos humaniza, quando desperta, em nós, valores como o amor, a compaixão, bem como quando nos estimula a exercitarmos nosso direito à autonomia, à liberdade. Contudo, a natureza também pode ser vista negativamente, ao nos submeter aos seus desígnios, aos nos lembrar de nosso lado animalesco, nosso lado instintivo.

A partir das representações do que seja o não-humano, a ficção científica mostra como são concebidos os limites entre o humano e o natural de forma fluída. Ela explicita as representações de humanidade e de humano que caracterizam a civilização ocidental moderna. O natural é visto dentro de uma perspectiva comunitária, onde há uma integração total. Benigna, segundo os defensores da importância da coletividade. Ou maligna, segundo os partidários da supremacia do indivíduo.

Partindo-se da definição de “ser humano”, estabelecida pelo mundo ocidental moderno, pode-se compreender como a ficção científica desenvolve algumas das suas interpretações sobre o que é a natureza:
ou ela é pensada como um elemento separado do homem, estando em oposição a ele – o que significa dominá-la ou ser dominado por ela – ou ela é vista como uma fonte de restauração da nossa humanidade, de nossos valores, nos renovando ética e moralmente. A primeira perspectiva está presente na visão instrumental que temos do mundo natural, tido apenas como fonte de recursos a serem explorados. Atualmente pagamos o preço da nossa arrogância enfrentando problemas como o buraco na camada de Ozônio e o efeito estufa.

Se pudemos subjugar a natureza graças à tecnologia, isso não a tornará uma heroína, pode, inclusive, transformá-la em “vilã”. Se a natureza pode nos desumanizar, a tecnologia também pode. Os perigos que a arrogância humana podem provocar ao pensar na tecnologia como solução para todos os problemas já eram discutidos em Frankenstein, ou o Moderno Prometeu, de Mary Shelley. Enquanto que a natureza pode nos levar ao nosso estado original mais primitivo, sem uma noção de individualidade; a tecnologia pode nos privar do nosso livre-arbítrio, nos prendendo em atividades alienantes, nos deixando dependentes dela.

Essa cristalização que a tecnologia pode provocar, imobilizando-nos, nos tornando incapazes de agir sem ela, pode nos tornar submissos a ela. Filmes como Até o Fim do Mundo (1991), de Win Wenders – onde as pessoas deixam de viver para permanecerem conectadas a máquinas nas quais revivem seus sonhos – e Estranhos Prazeres (1995) – no qual pessoas experimentam o prazer através de CDs com gravações das vivências de outras pessoas – mostram como o uso da tecnologia pode provocar vícios e evidenciam que a discussão sobre a escravização do Homem pelas máquinas não surge no cinema com Matrix, de 1999.

Recentemente, o filme WALL-E chamou a atenção como, apesar de praticamente não possuir diálogos, tendo a tela “dominada” basicamente por duas máquinas, uma delas chamada EVE (EVA). A trama gira em torno de uma Terra devastada pelo lixo produzido pela tecnologia e sobre como um pequeno robô, WALL-E, na sua tarefa de limpar o planeta desenvolve consciência. Ele busca entender através dos dejetos humanos que encontra quem foram seus criadores. O motor inicial da trama é o nascimento de uma pequena planta, início da recuperação do planeta – é a natureza, superando a destruição deixada pelos humanos, que se recupera, garantindo a possibilidade de uma redenção humana, do retorno dos seres humanos, que viviam uma existência sem sentido no espaço.

É interessante que a presença da natureza como fonte de humanização e de renovação apareça de forma singela através de andróides ou robôs, como em O Homem Bicentenário, obra do grande escritor de ficção científica Isaac Asimov (juntamente com Robert Silverberg), transformada em filme dirigido por Chris Columbus. Embora haja muito temor em relação aos autômatos, sejam eles de forma humana ou não, esse receio não era compartilhado por Asimov; ele pensava que os robôs, poderiam ser um desdobramento das melhores qualidades humanas, desde que houvesse precauções, cuidados. Para ele, as máquinas não eram nem boas nem ruins, seu uso indevido deveria ser evitado e seu bom uso garantido. Para isso, ele criou as três leis da robótica: 1ª lei. Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal; 2ª lei. Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei; 3ª lei. Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira e Segunda Leis.

Essas leis visavam mostrar que robôs e andróides seriam incapazes de fazer mal à humanidade, e que isso só ocorreria se os seres humanos fizessem um uso indevido deles, ou se os reprogramassem como ocorre no filme Eu, Robô, estrelado por Will Smith. Assim, as máquinas não são boas nem más, bons ou maus são os homens que as utilizam. As máquinas, na visão de Asimov, por estarem sujeitas às três leis, não poderiam prejudicar o ser humano, podendo, em alguns casos (através do convívio com pessoas nobres e gentis), desenvolver qualidades humanas. Isso explica em filmes como A. I. Inteligência Artificial, onde alienígenas dependem de um andróide, com sentimentos humanos, para poderem entender o que tinha sido a espécie humana, extinta séculos antes. São os sentimentos humanos que conferem humanidade ao personagem principal, não por acaso, chamado de Adam (Adão).

Com isso, a ficção científica aparece como uma arena privilegiada para perceber como os ideais de progresso defendidos pelo Iluminismo e fortalecidos pelos avanços da Revolução Industrial acabaram se tornando hegemônicos no Ocidente, definindo nossa relação com o mundo. Em vista do domínio do individualismo, as críticas ao processo civilizatório ocidental são vistas como ameaças a essa própria civilização. É importante deixar claro que o conceito de Individualismo aqui presente não é o mesmo do senso comum, como egocentrismo, egoísmo ou o descaso para com o outro e preocupação para consigo mesmo.

Aqui, ao falar de uma ideologia individualista que é predominante na maioria das sociedades ocidentais,  está se falando da crença de que o indivíduo existe em separado da sociedade, que ele é um átomo independente, em contraposição a uma visão holista, dentro da qual o indivíduo ocupa um espaço dentro de uma hierarquia. Enquanto que no Holismo o indivíduo, mesmo tendo um valor específico intrínseco, deve ser pensado como parte da sociedade que a compõem, no Individualismo o indivíduo aparece como base, como possuindo sentido em si mesmo, sentido esse que, por diversas vezes, a sociedade tenta suprimir.

Essa valorização do indivíduo é frequentemente visível em produções hollywoodianas, onde os heróis são personagens que se não se submetem ao sistema, que possuem um jeito próprio de fazer as coisas. Essa tradição remonta ao bandoleiro Robin Hood e ao pirata heróico, mas de bom coração retratados por Errol Flynn, passando pelo detetive particular (imortalizado em vários filmes de Humphrey Bogart) que investiga crimes com métodos que contrariam a prática policial e pelo policial que nunca cumpre as regras, como o personagem Dirty Harry de Clint Eastwood.

Quando essa perspectiva da importância do indivíduo sobre o todo foi ameaçada por um modelo onde o bem geral se dava através da renúncia ao bem individual, através da instauração do modelo do socialismo real nos países do Leste Europeu após a Segunda Guerra Mundial, o temor que a expansão comunista viesse a anular a individualidade ganhou uma releitura cinematográfica. Daí os filmes dos anos 1950, onde os alienígenas (simbolizando os comunistas) tentavam desumanizar os estadunidenses, retirando-lhes a autonomia, a racionalidade e o livre-arbítrio, as bases da individualidade ocidental.

A perda ou o desaparecimento da individualidade, freqüente nas obras de ficção científica, aparecem como uma expiação simbólica – a adrenalina do medo é sentida, sem perigo real. A ameaça de se deixar de ser um indivíduo, submergindo dentro de um todo indiferenciado, seja através das forças da natureza ou da própria tecnologia, é um temor constante em diversas obras. Assim, a luta pela manutenção dos valores do individualismo expressa uma tomada de posição. Há uma afirmação, por parte do homem ocidental, de que ele existe em sua plenitude apenas fora da natureza. Ele se recusa a ser um animal movido por instintos, sua racionalidade o elevaria, enquanto que sua parte instintiva o rebaixaria. O surgimento de alienígenas “malignos”, que nos parasitam, que desejam nos dominar ou devorar – seres que vivem sob seus impulsos naturais – simbolizam a ameaça da natureza, da sua tentativa de dominar a civilização humana.

Da mesma forma que a natureza é vista como ameaçadora por muitos, a tecnologia é perigosa para alguns. Desde o Iluminismo, com Rousseau criticando os efeitos nocivos da sociedade sobre o indivíduo, o desenvolvimento tecnológico tem sido alvo de críticas de desumanização. Enquanto há os que vêem na natureza o inimigo a ser vencido pela tecnologia, há os que pensam a natureza como depositária dos valores humanos da sensibilidade e da solidariedade, ameaçados pelo mundo mecanicista das máquinas.

Se, por um lado, um ser não-humano (como um extraterrestre, um mutante ou um andróide) pode ser uma figura que se apresenta como uma ameaça, capaz de nos subjugar e tirar a nossa humanidade, ele também pode ser aquele que a renova, enriquece e fortalece. Ao mesmo tempo em que existem os espectros, da série StarGate Atlantis, que se alimentam da energia vital dos seres humanos, também temos o andróide Adam, de AI. Inteligência Artificial, demonstrando que é possível amar e ser amado por uma máquina, demonstrando uma gentileza e inocência que nem todos os humanos são capazes de mostrar.

A máquina também é capaz de possuir aspectos positivos e/ou negativos. Podemos citar os Borgs da série Jornada nas Estrelas: A Nova Geração, que pretendem assimilar outras espécies através da substituição dos órgãos biológicos por próteses mecânicas, tornando-os organismos sem autonomia, integrados dentro de uma entidade coletiva. Por outro lado, o andróide Data, um outro personagem desse mesmo seriado, buscava sempre aprender mais sobre os humanos, tentando se humanizar. Essa atitude nos lembra das qualidades, virtudes e fraquezas humanas, que nos definem como seres humanos.

Dessa forma, a ficção científica nos coloca uma questão: retornar à natureza? Tal decisão preservaria nossa humanidade ou nos levaria a perdê-la, submetida aos ditames do mundo natural, onde seríamos mais uma espécie? Ou permanecer na civilização? A tecnologia poderia nos ajudar a expressar, desenvolver nossa individualidade frente aos nossos instintos básicos ou nos desumanizaria, nos robotizando através de seus instrumentos e recursos alienantes?

Essas dúvidas antagônicas caracterizam os extremos dos debates sobre o que pensamos como humanidade, sobre como entendemos a nossa relação com a natureza. Elas também nos permitem entender a importância que atribuímos à ciência e à tecnologia. As obras de ficção científica aparecem como um palco, onde cada uma dessas possibilidades é testada e caminhos intermediários são sugeridos. Ela surgiu com a industrialização e com o avanço da ciência e tem sido um dos campos que mais reflete sobre os seus efeitos.

Publicado em: às junho 28, 2009 em 9:21 pm  Deixe um comentário  

Olá, pessoas!

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Conforme prometido, eis as
primeiras contribuições dos alunos neste bimestre. A primeira delas, que segue
abaixo, é uma das MUITAS que o Carlos Eduardo (1001), nos enviou.
Oportunamente, todas elas se referem a conteúdos da nossa disciplina, sendo que
a maioria deles trabalharemos ainda neste bimestre e no próximo. Logo, as
estarei utilizando à medida que formos abordando os assuntos em sala.

A segunda contribuição trata
especificamente da data de hoje, e nos foi dada pelo Gabriel (1003). O texto
dele (na íntegra) segue abaixo.

No mais, tenham todos uma ótima
semana.

Amplexos!

 

 

[Contribuição de Carlos Eduardo Moncken Michel – turma 1001]

Item
3: Uma propaganda que achei interessante, que é veiculada no Canal National Geographic (vou por aqui somente
o texto, pois não achei o vídeo na Internet). Se trata de um texto com letras
trocadas, e mesmo assim conseguimos ler com perfeição na maioria das vezes (não
sei se cabe muito ao tema, mais estou reunindo conteúdos diversificados, aos
que forem de seu interesse,retire ou mude, sinta-se a vontade para modificar
qualquer coisa).

De aorcdo
com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as
lrteas de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e
útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma ttaol bçguana que
vcoê cnocseguee anida ler sem pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa
ltrea szoinha, mas a plravaa cmoo um tdoo. Lgeal, não é msemo?

 

 

Publicado em: às maio 24, 2009 em 7:43 pm  Deixe um comentário  

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[Contribuição de Gabriel Lima do Nascimento – turma 1003]

Fala professor
Rony “Legal”, aqui é o seu aluno Gabriel Lima, NAVEgante da turma
1003 (ou simplismente “GuitarStrike, Ricardinho
Rodriguez…[hehehe])”

Estava eu,
numa noite de sábado, fazendo um trabalho de filosofia vi no site
Wikipédia algo que não tem nem muito a ver com a sua matéria mas… enfim, é
sobre o aniversário do meu velho xará Gabriel Fahrenheit, grande físico e
engenheiro alemão, criador da conhecida escala termométrica Fahrenheit (a
propósito, quem talvez se interessasse pelo assunto fosse a professora
Lilian…). Ele nasceu em 1686 e faz aniversário (ou fazia) dia 24 de maio.

Também faz
aniversário o compositor Bob Dylan, que nasceu em 1941… (puts!, você
deve estar se perguntando o que que tem a ver o Bob Dylan com o Farenheit…
deixa prá lá!)

Também foi no
dia 24 de maio que morreu o cientista, criador da teoria de que a terra é
redonda, Nicolau Copérnico, que nasceu em 1473 (não no dia 24) e morreu em
1543… coitado…

Bem, já que
estamos nos embrenhando pela história, vale a pena ressaltar que também no
dia 24 de março (nesse caso de 1337), iniciou-se a Guerra dos Cem Anos! Olha só
como o dia 24 (hehe) de março é tão importante! O objetivo desse e-mail é só
pra mostrar que as vezes, certos dias tão importantes para a maneira de
como vivemos hoje, passam dispercebidos por nós… as vezes até como só mais um
dia! Afinal, pense como seria a vida dos norte-americanos sem a escala
Fahrenheit! (hahaha, nada a ver… ou será que não…?)

RSRS, valeu
professor! Se quiser colocar alguma coisa no blog… está a sua disposição! Ah,
não posso me esquecer de mandar o link!

Publicado em: às maio 24, 2009 em 7:40 pm  Comentários (1)  

OLÁ, PESSOAS!

Primeiramente, FELIZ PÁSCOA!!! Espero que essa data, além de proporcionar a vocês uma overdose de chocolate (cuidado, 2000!), tenha sido oportunidade de reflexão e recomeço de coisas boas nas suas vidas. Mas vamos ao que interessa, pois estou na estrada e daqui a pouco a conexão vai cair…

 

Estou postando hoje três textos a respeito de nossa matéria, como presente de Páscoa para todos. Sim, presente, sabem por quê? Porque um deles será o texto oficial da prova de vocês! E aqui estão os candidatos à vaga , em primeiríssima mão. Legal, né? Mas não vai adiantar de nada se eles não forem LIDOS, DEVORADOS, DIGERIDOS ATE A ALMA. Logo, aproveitem a oportunidade e arrebentem.

 

Maiores informações nos seus e-mail´s (tenho que correr aqui…).

 

Amplexos (larguem o MSN e vão dormir, ok?).

Publicado em: às abril 13, 2009 em 2:40 am  Deixe um comentário  

TUPI OR NOT TUPI

Se Fernando Henrique Cardoso proferisse em Portugal a frase “Chega desse nhenhenhém neoliberal”, como fez ao responder aos que criticavam seu governo, provavelmente não seria entendido. Nhenhenhém vem do tupi e quer dizer conversa jogada fora. Um turista brasileiro que contasse a um moçambicano que “chorou as pitangas” também correria o risco de encontrar no rosto de seu interlocutor um grande ponto de interrogação. “Estar jururu”, cabelo “pixaim” e ficar na maior “pindaíba” são outros exemplos de expressões ininteligíveis para lusófonos não-brasileiros. Os brasileiros quase não percebem, mas o português que falam é em grande medida tributário do idioma tupi, falado pelos aborígines que Pedro Álvares Cabral encontrou na Terra de Santa Cruz há 500 anos. Nada menos que 20000 dos vocábulos dicionarizados no Brasil têm origem tupi. No entanto, os estudiosos da língua são uma espécie em extinção. Único especialista que se dedica ao ensino do tupi antigo, o professor da Faculdade de Letras da Universidade de São Paulo, Eduardo Navarro, resolveu tomar uma providência que funcionou muito bem para salvar bichos como a ararinha azul ou o mico-leão-dourado. Fundou uma ONG, a Tupi Aqui, com a qual pretende formar 100 professores do idioma até o ano 2004. Não é por diletantismo que Navarro se dedica à causa. “Não será possível entender os 250 primeiros anos da História do Brasil se essa língua se perder”, diz.

Ele tem razão. O tupi antigo era a língua comum às populações nativas do Maranhão até o Paraná, formando uma grande unidade cultural. O verbo iepotar, por exemplo, era empregado quando alguém estava chegando por mar, tanto em Porto Seguro quanto em São Vicente. Apesar do entra-e-sai constante de caravelas estrangeiras, o tupi resistiu nesse vasto território por séculos. Era a língua brasílica por excelência. Essa é uma peculiaridade da colonização portuguesa, porque em vez de massacrar qualquer manifestação cultural nativa, como fizeram os espanhóis no restante da América Latina, o que aconteceu no Brasil foi uma espécie de colonização do colonizador. A explicação para isso é que o modelo português de ocupação do território se baseava em casamentos mestiços, as mulheres sendo tomadas nas tribos indígenas. Como eram elas que educavam os filhos, naturalmente o tupi tomou-se a língua de adoção dos primeiros descendentes dos europeus em terras brasileiras. O processo de aculturação dos lusitanos foi tão forte que o padre Antônio Vieira já o notou em pleno século XVII. “É certo que as famílias dos portugueses e índios de São Paulo estão ligadas umas às outras e que a língua que nas ditas famílias se fala é a dos índios. E a portugue­sa, a vão os meninos aprender à escola.”

O indício mais generoso dessa assimilação cultural aconteceu quando os portugueses sistematizaram uma gramática e uma linguagem escrita para o tupi. Sem esses dois elementos, alguns dos mais importantes traços culturais dos índios da época do Descobrimento teriam desaparecido, já que os nativos quase não deixaram construções, registros ou objetos resistentes à ação do tempo. Graças ao padre José de Anchieta e a seus companheiros da Companhia de Jesus, muitas cartas e relatos de época foram escritos na língua original. Uma Bíblia foi vertida para o tupi por um missionário holandês e calvinista. Os momentos que precederam a Batalha dos Guararapes, em que se enfrentaram índios, portugueses e holandeses, também foram analisados em cartas escritas na língua. Foi em tupi que os bandeirantes desbravadores se comunicaram. É por isso que tantos Estados, municípios e rios têm nomes de origem indígena. Pernambuco é “mar com fendas”, uma referência aos arrecifes. Paraná é “mar”. Pará é “rio”. Piauí é “rio de piaus”, um tipo de peixe. Sergipe é “no rio do siri”. Paraíba é “rio ruim”. Tocantins é “bico de tucano”.

O terrível Domingos Jorge Velho, um dos responsáveis pelo aniquilamento do Quilombo dos Palmares, não sabia falar português, segundo o relato de um bispo da época. O ano era 1697 e as tropas paulistas que haviam massacrado Zumbi só falavam em tupi. Mesmo escritores que se notabilizaram por sua literatura em português conheciam – e bem – o idioma indígena. Foi o caso do padre Antônio Vieira e de Gregório de Matos. A língua tupi foi aquela em que se comunicaram, até meados do século XVII, as melhores famílias quatrocentonas brasileiras. (…) O escritor Sérgio Buarque de Holanda relatou no clássico Raízes do Brasil que, em um inventário feito numa repartição pública paulista em pleno século XVII, foi necessária a participação de um intérprete porque a herdeira não sabia uma palavra de português.

Com tal força cultural, o tupi comportava-se como qualquer língua viva. Incorporava novos vocábulos, gírias, expressões idiomáticas, particularmente as originárias do próprio português e do idioma quimbundo, que era falado pelos escravos africanos. Foi assim que o tupi, na origem uma língua desprovida de tempos verbais, desenvolveu também desinências indicativas de presente, passado e futuro. A falta dessas desinências não significa que se tratasse de um idioma menos sofisticado. Basta lembrar que o mandarim, a principal língua falada na China, velha em mais de 5000 anos, também não tem tempos verbais. Como eles sabem então quando se passa a ação? Pela adição à frase de um advérbio de tempo. Era assim também com o tupi.

Outra modificação importante pela qual passou a língua nativa foi a inclusão de numerais acima de quatro. Os índios só identificavam os números 1, 2, 3, 4 e “muitos”. Para dizer que dez jacarés estavam no rio, diziam “minhas mãos”. Vinte, “minhas mãos e meus pés”. Os pronomes demonstrativos também mudaram. Para os índios, que viviam entre animais selvagens, era importante ter um termo que indicasse quando algo estava próximo e podia ser visto. Outro para quando estava próximo mas não visível. Na língua modificada, aquela que se tomou a forma de expressão do mameluco, o mestiço brasileiro, o pronome caiu em desuso.

Foi pela força de um decreto que o tupi perdeu terreno para o português. Em 1758, o marquês de Pombal, interessado em solapar o poder da Companhia de Jesus no Brasil e em aumentar o domínio da metrópole portuguesa sobre a colônia de ultramar, proibiu o ensino e o uso do tupi. Iniciou-se um longo declínio. Até meados do século XIX, redutos no interior de São Paulo ainda se expressavam em tupi, e o idioma transformou-se em bandeira nacionalista. Foi assim com o romantismo da literatura de José de Alencar e Gonçalves Dias, que faziam apologia dos heróis selvagens. Nos anos 20, o movimento modernista ironizava a mistura da cultura européia com a brasileira por intermédio do dístico “tupi or not tupi”.

Os últimos suspiros da língua dos antepassados aconteceram nos anos 30 e 40, durante a era Vargas, sob o influxo do nacionalismo em voga na época. Não por acaso, a saudação integralista “Anauê” era tomada do tupi. Significa “você é meu parente”. Nesse período, o idioma indígena ganhou cadeiras nas universidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Era ensinado segundo a gramática de José de Anchieta. Em 1955, o presidente Café Filho obrigou todas as faculdades de letras a incluir um curso de tupi. Durante a década de 70 inteira e até os dias atuais, com a cultura indígena massacrada pelos projetos de desenvolvimento, a idéia de ensinar o tupi passou a ser mais desvalorizada do que a de ministrar cursos de sânscrito ou grego arcaico. É essa noção que o professor Navarro pretende corrigir. Não para conhecer melhor os índios que moravam no Brasil. Mas para conhecer melhor os brasileiros.

Bruno Paes Manso. Revista Veja

Publicado em: às abril 13, 2009 em 2:38 am  Comentários (2)  

TODOS FALAMOS O ÁRABE

Este texto foi escrito especialmente para demonstrar a influência árabe na Língua Portuguesa. Observe que as palavras de origem árabe, que hoje fazem parte da nossa linguagem diária, estão destacadas no texto.

 

A influência de uma língua manifesta-se quando passa a fazer parte do cotidiano das pessoas. Passados mais de mil anos, a língua árabe ainda está presente no dia-a-dia de todos os países do mundo, particularmente entre nós.

As-salamu-alaikum. Essa foi a primeira frase ouvida pelos naturais da América por ocasião do desembarque de Cristóvão Colombo. Significa “a paz esteja convosco” e foi dita por Luís de Torres, um mouro convertido que acompanhou Colombo a pedido dos reis Fernando e Isabel, da Espanha. Os monarcas entendiam que a presença de Torres era necessária porque ele poderia facilitar a comunicação com os habitantes da Índia, já que muitos deles eram muçulmanos. É evidente que os habitantes da América não entenderam a saudação. Mas os visitantes não titubearam em chamá-los de índios, criando uma grande dor de cabeça para os filólogos. Mas essa já é outra história.

Prosseguindo sobre a influência da língua árabe, digamos que muitos dos colonos portugueses que aqui aportaram vieram de alguma aldeia da região do Algarve ou de Alcântara. O barco no qual viajaram era comandado por um almirante, encarregado pelas autoridades portuguesas de estabelecer a alfândega e colocar ordem na nova terra. Em aqui chegando, nomeou um alferes e, para impor a lei, um xerife, depois de uma reunião com o alcaide numa sala, sentados sobre almofadas. Providenciaram também a construção de um albergue. O novo xerife possuía um almanaque, que o ensinava a observar o azimute e a estrela Aldebarã. Conhecia alquimia e era dono do armazém, que fornecia tecidos e alfinetes para o alfaiate, que fazia roupas com algibeiras.

Um senhor de engenho resolveu construir um alambique para a fabricação de álcool e alcatrão. Viajava montado num alazão. O local era protegido por uma fortificação onde ficava o atalaia. Para convocar os trabalhadores, mandava tocar um tambor. Possuía muitos alqueires. Mandou carpir o solo com alfanjes e o cercaram com mourões. Construíram alambrados usando alicates. Era para o gado mas só conseguiram colocar uma rês, que soltava uma baba fina. Ficaram preocupados quando viram um lobo. Mas, como não era membro de nenhuma alcatéia, tranqüilizaram-se. Alguns brancos passaram a viver com índias. Os filhos dessa união chamaram-se mamelucos.

Alguém gritou alvíssaras ao saber de alforria para os escravos, que fizeram muita algazarra e gritaram axé.

Desde então, o País passou a se interessar pelo alfabeto, pelos algarismos e pelas cifras.

Hoje, quando as pessoas se sentam à mesa para se alimentar não dispensam um prato de arroz, ou um pedaço de alcatra, que mandam buscar no açougue. A salada vem com alface, acelga, almeirão, berinjela e azeitona. De entrada, alcachofra, devidamente temperada com azeite. Para os paladares mais refinados usam-se cânfora, alcaparra, açafrão ou alcaçuz. De sobremesa, um doce onde o açúcar é um dos ingredientes. Mas quem prefere frutas pode comer damasco, ameixa ou romã. Uma garrafa de suco de tamarindo entre a refeição e a sobremesa vai bem. Para arrematar, um café e um licor de anis.

Em ferimento, usa-se algodão; para a tosse, xarope. E quando tudo corre bem diz-se aleluia, aleluia. O abade responde: amém.

Tudo bem, a história é ruinzinha. Mas alguém precisava escrevê-la.

 

BOURDOUKAN, Georges, Revista Caros Amigos. São Paulo, agosto de 1997.

Publicado em: às abril 13, 2009 em 2:37 am  Deixe um comentário  

No reino da Pré-História

Com 400 sítios arqueológicos e uma das maiores concentrações de pinturas rupestres de todo o planeta, a Serra da Capivara, no sertão do Piauí, guarda os mistérios de um mundo perdido e abre-se ao turismo.

 

Numa área de 1,3 mil quilômetros quadrados, pouco menor que a cidade de São Paulo, o parque tem uma das maiores concentrações de pinturas rupestres de todo o mundo. Já foram catalogados 400 sítios arqueológicos, dos quais 263 com pinturas. São 25 mil conjuntos de desenhos que revelam o quão marcante foi a presença humana nesse território em épocas remotas. Entre outras coisas, significa que, na Pré-História, o Piauí tinha uma população maior que as regiões onde hoje estão São Paulo, Nova Iorque ou Tóquio.

Cada vez viajando mais para fora do país, os brasileiros costumam se deslumbrar com as pirâmides do Egito, que têm 4,6 mil anos, e com os monumentos maias do México, nas vizinhanças de Cancún, com pouco mais de mil anos. É claro que essas obras são fabulosas e fornecem dados importantíssimos sobre a tecnologia e a cultura daqueles povos. Mas é bom o Brasil descobrir que os colossais cânions da Serra da Capivara, embora não exibam construções faraônicas, guardam registros de até 50 mil anos da passagem dos nômades que caçavam ou coletavam alimentos na região.

Mais tarde, entre 12 e 6 mil anos atrás, vários grupos se fixaram no local, estabeleceram-se em sociedades que os pesquisadores chamam hoje de “cacicados” e criaram códigos de comunicação bastante elaborados. “Muitos dos desenhos não são arte rupestre. São registros gráficos, uma espécie de escrita pré-­histórica naturalista, uma forma de comunicação”, atesta a antropóloga visual Anne-Marie Pessis, francesa de 47 anos que há mais de dez estuda as inscrições rupestres da Serra da Capivara. Ou seja: antes de os egípcios criarem os hieróglifos, nossos ancestrais já utilizavam símbolos sofisticados para se comunicar.

(Os Caminhos da Terra, ago. 1997. p. 37-8, 40-1.)

Publicado em: às abril 13, 2009 em 2:35 am  Comentários (1)  

Oi, pessoas!

Boa noite! Puxa, estou bem cansado (vocês sabem o quanto o dia foi puxado)! Mas compromisso é compromisso, e cá estamos nós: então, ao trabalho!

Primeiramente, gostaria de falar a respeito do blog e da tão falada política de conteúdo. Na verdade, boa parte dela já foi anunciada em nossas aulas da semana. Agora, devo explicar o porquê das mudanças: em função do excesso de atividades que cercam a minha existência, além de visar ao melhor acesso de vocês às informações das diferentes disciplinas, achei por bem tornar o Mens et Manus um espaço coletivo, ao invés de simplesmente o blog de Língua Portuguesa. Deste modo, a partir de agora contaremos com a participação da Lilian e da Flavia, professoras de Física e Teatro, às segundas e quarta-feiras, respectivamente. Eu ficarei com as sextas-feiras, a partir de hoje.

Além disso, dois dias (terças e quintas-feiras) serão reservados para postagem de material fornecido pelos alunos. Muito embora esta atividade não seja diretamente pontuada, considerarei as iniciativas nesse sentido na hora de avaliar o item “participação e freqüência” em nossa nota bimestral. Hoje, inaugurando o espaço, contaremos com a já anunciada primeira participação estudantil: nossos cumprimentos ao Lucas dos Santos da Silva, da turma 1003, que gentilmente nos enviou um texto sobre o Tabaco, extraído da Wikipédia (valeu, Lucas!).

Mudando um pouco de assunto: esta semana conversamos bastante, ainda que indiretamente, sobre questões ligadas ao preconceito, nas suas mais diferentes acepções. Para contribuir um pouco com o debate, postei alguns textos sobre o assunto.

Bem, agora vou dormir (estou cansado e amanhã tenho aula). Ósculos e amplexos para todos. Tenham um ótimo final de semana!

RONY

Dica cultural: Compareçam ao lançamento do livro do Prof. Francisco Evandro (Professor de Matemática do 2º ano do CEJLL/ NAVE), que será amanhã, às 15h30min., no Centro Cultural Justiça Federal, que fica na Av. Rio Branco, na Cinelândia, ao lado da Biblioteca Nacional. Nos vemos lá!

Publicado em: às abril 4, 2009 em 12:54 am  Comentários (2)  

TABACO

O tabaco é nome comum dado às plantas do gênero Nicotiana L. (Solanaceae), em particular a N. tabacum, originárias da América do Sul da qual é extraída a substância chamada nicotina. Os povos indígenas da América acreditavam que o tabaco tinha poderes medicinais e usavam-no em cerimônias. Foi trazida para a Europa pelos espanhóis, no início do século XVI. Era mascado ou, então, aspirado sob a forma de rapé (depois de secarem as suas folhas). O corsário Sir Francis Drake foi o responsável pela introdução do tabaco em Inglaterra em 1585, mas o uso de cachimbo só se generalizou graças a outro navegador, Sir Walter Raleigh. Um diplomata francês, de nome Jean Nicot (de onde deriva o nome da nicotina) aspirava-o moído rapé e percebeu que aliviava suas enxaquecas. Desta forma, enviou uma certa quantidade para que a então rainha da França, Catarina de Médicis, experimentasse no combate à suas enxaquecas. Com o sucesso deste “tratamento”, o uso do rapé começou a se popularizar.

O hábito de fumar o tabaco como mera demonstração de ostentação se originou na Espanha com a criação daquilo que seria o primeiro charuto. Tal prática foi levada a diversos continentes e, somente por volta de 1840, começaram os relatos do uso de cigarro. Neste ponto, a finalidade terapêutica original do tabaco já havia perdido seu lugar nas sociedades civilizadas para o hábito de fumar por prazer. Embora o uso do cigarro tenha tomado enormes proporções a partir da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), foi apenas em 1960 que foram publicados os primeiros relatos científicos que relacionavam o cigarro ao adoecimento do fumante. Pesquisas em âmbito mundial a respeito dos perigos do tabagismo são amplamente divulgadas, não cedendo espaço para dúvidas ou más interpretações. Tais pesquisas vêm demonstrar que o significado médico-terapêutico do tabaco caiu por terra há décadas, cedendo lugar ao combate à dependência química que as substâncias constantes do cigarro causam. Como não há embasamento mínimo para a aplicação terapêutica do tabaco na sociedade atual, a não ser como forma de suavizar os danos causados por ele próprio no que tange à dependência químico-psicológica, pode-se afirmar que não se justifica a utilização da expressão droga lícita, para designá-lo.

Fonte: Wikipédia

(Contribuição de Lucas dos Santos da Silva, da turma 1003)
Publicado em: às abril 4, 2009 em 12:51 am  Comentários (1)  
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